Apresentação

Cooperação científica

 

Nossa cooperação científica assenta em dois pilares importantes:   o primeiro: os programas bilaterais de apoio à mobilidade dos pesquisadores.  O mais importante e também o mais antigo, é o programa CAPES/COFECUB. Ele permite a criação de equipes de pesquisadores franco-brasileiras trabalhando em  assuntos de pesquisas comuns  bem como a mobilidade e a formação de estudantes em doutorado.

Em 2017, o programa apoiou 114 projetos de pesquisa. Desde seu lançamento, permitiu formar quase 3000 mil doutores brasileiros e várias centenas de jovens franceses.

Outros programas similares existem ao nível regional como o programa GUYAMAZON, programa de cooperação científica que reúne pesquisadores de quatro Estados (Amapá, Amazônia, Maranhão, Pará), da Guiana Francesa e da França metropolitana.

O segundo pilar da nossa cooperação científica é constituído dos dispositivos conjuntos de pesquisa desenvolvidos pelos três organismos franceses de pesquisa  presentes no Brasil: o CNRS, o IRD e o CIRAD.

Encontrados em várias formas, das redes virtuais até verdadeiros laboratórios comuns, estes dispositivos são mais de vinte e abrangem uma grande variedade de áreas científicas: matemática, saúde, biologia, meio ambiente, ciências humanas e sociais.

Além desses dois instrumentos estruturantes da nossa cooperação, vale ressaltar que várias parcerias entre organismos de pesquisa franceses e brasileiros foram estabelecidas esses últimos anos. É o caso do Instituto Pasteur, cujo projeto de instalação em São Paulo está em andamento, da Agência Nacional da Pesquisa (ANR), que tem uma parceria forte com a FAPESP, do Museu Nacional de História Natural (MNHN), do INSERM, do IFREMER, do INRIA,...

Apesar da crise, nossa cooperação científica conseguiu se manter  ativa e produtiva. Em 2017, 1.080 pesquisadores franceses realizaram uma missão no Brasil e foram publicadas quase 1.800 co-publicações científicas. A França continua sendo o terceiro parceiro mundial do Brasil, depois dos Estados Unidos de América e do Reino-Unido.

 

Cooperação universitária

 

Assim como nossa cooperação científica, a cooperação universitária é um importante desafio da nossa diplomacia de influência, ainda mais porque ela se inscreve numa longa tradição no Brasil (1875: criação da Escola de Mines de Ouro Preto por Henri Gorceix, aluno de Pasteur, fim dos anos 1930 : criação dos departamentos de ciências humanas e sociais da universidade de São Paulo (USP) por vários universitários franceses como Fernand Braudel, Claude Lévi-Strauss e Roger Bastide).

A parceria privilegiada, criada entre o Brasil e a França, se mantem: a França continua sendo  a terceira destinação escolhida pelos estudantes brasileiros (depois dos EUA e do Portugal) e continua fornecendo o maior número de estudantes europeus ( cerca de 1200 por ano). Existem 750 acordos universitários entre os dois países dentre os quais alguns oferecem possibilidades de duplo-diploma e co-tutela de doutorado. Apesar da crise que gerou uma diminuição do número de bolsistas  os grandes programas de mobilidade (BRAFITEC, BRAFAGRI) continuaram.

Depois do fim do programa “Ciência Sem Fronteiras” (CSF) que permitia uma mobilidade de massa, os parceiros brasileiros ainda dão prioridade à internacionalização das universidades e institutos de ensino superior brasileiro. Porém, agora, privilegia-se uma mobilidade de qualidade como é o caso do novo programa “PrInt” (Programa Institucional de Internacionalização), sucessor do programa CSF em 2018.

Esse novo contexto finalmente é favorável para a França que deve aproveitar ainda mais  desse grande movimento de abertura ao internacional sobretudo porque ela já tem uma cooperação universitária antiga e comprovada.

O efeito conjugado do fim do programa CSF e a diminuição do número de bolsas nos programas BRAFITEC e BRAFAGRI causaram em 2016 uma forte diminuição da mobilidade estudantil no âmbito desse programa (-32%). Porém, essa queda foi em parte compensada pela mobilidade individual (+26%).

Durante o ano de 2017, a mobilidade dos estudantes brasileiros para a França foi revitalizada (+14%, com 3345 casos tratados pelo Campus France), a mobilidade individual continua sendo o motor dessa tendência. 

Nossa política seguiu essa tendência e ficou focada na promoção dos estudos nas universidades da França (144 ações de promoção realizadas pelo Campus France no último ano, contra 98 no ano retrasado). Na mesma linha, o dispositivo Campus France no Brasil foi restruturado, com o objetivo de decentralizar o seu funcionamento que era baseado principalmente em São Paulo, e abrir sedes nas grandes capitais regionais. Depois da sede do Rio de Janeiro, criada em 2016, dois espaços foram abertos em Recife e Belo Horizonte em 2017, essas duas cidades fazem parte das cidades que enviam o maior número de estudantes depois do Rio e de São Paulo. A última sede abriu em Brasília em 2018.

O desenvolvimento da presença de leitores de francês nas universidades brasileiras também faz parte da nossa política.  O programa funciona com o co-financiamento entre as universidades (despesas de estada durante  9 meses) e o SCAC (pagamento da passagem de avião e seguro). Depois do segundo edital, lançado em 2017, são no total 19 universidades federais que receberam o leitor em setembro 2017.

Um outro sinal de interesse pela internacionalização das universidades brasileiras, é o sucesso do programa de cátedras universitárias francesas, cujo desenvolvimento constitui  uma prioridade. Aberto a todas as áreas, baseado no co-financiamento (pagamento da passagem de avião e seguro pelo SCAC e despesas de estada pagas pela universidade com apoio da CAPES), esse programa permite a um universitário francês, convidado por um colega brasileiro, de realizar uma missão de um a seis meses para dar aulas, participar de palestras, trabalhar em laboratório e formar jovens pesquisadores. Essas missões, as quais o SCAC está monitorando, permitem no melhor dos casos a criação de duplo-diploma, de co-tutela de doutorado ou a formação de novas equipes de pesquisa.

O programa de cátedras universitárias é um instrumento de cooperação extremamente eficaz, e que provou a sua eficiência em São Paulo (17 cátedras em 2017), no Rio de Janeiro (6 cátedras em 2016) e mais recentemente na Universidade Federal do Minas Gerais (8 cátedras em 2017). O objetivo é de multiplicar o número dessas cátedras nas capitais regionais do Brasil, favorecendo o princípio de reciprocidade (o professor francês em missão no Brasil compromete-se a receber o colega brasileiro na própria universidade).